27.6.09
RATOLÂNDIA - MEUS RATOS MIMADOS
Por mais que eu ache que o Dom está errado, às vezes, tenho de concordar com ele. Um bom exemplo é quando ele me diz:
- Você gosta de sofrer. Você só tem esses ratos para sofrer, você sabe que eles morrem logo.
Não tenho meus nenês para sofrer, mas sei que suas mortes prematuras me causam uma dor inenarrável.
Sábado é o dia que dedico a eles. Passo a maior parte do tempo limpando as gaiolas e conversando com eles. Pego-os na mão, coloco-os no ombro, cubro-os de beijos. Hoje, perdi o Eric Carr, meu dongo branquinho. Não sei do que ele morreu. Só encontrei seu corpinho. Ao mesmo tempo, percebi que a Lygia - que fez dois aninhos dia 24 - está com um caroço enorme que vai do mamilo esquerdo em direção ao pescoço. E a Penny Lane, que fez dois anos em setembro passado, também está com um caroço na coxa. Penny Lane é uma hamster anã russa. Mais de dois anos, já é hora extra, mas não consigo me conformar. Quando aparecem esses caroços, é sinal de que estão velhinhos e de que tem pouco tempo. Sei que é assim, sofro muito com isso, mas não consigo fechar meu coração para os roedores. Simplesmente amo a espécie! Sou doida por um rato, o que posso fazer ? Pode ser que este seja o jeito que achei de me acostumar com a idéia da morte. Se for isso, não está dando certo, pois acredito que a morte não é uma coisa com a qual a gente consiga se acostumar. A morte é um ladrão que nos rouba sempre o maior tesouro. Aliás, ela não rouba, ela furta. Chega de repente, sem ninguém perceber e nos toma o que temos de mais importante.
Vou perder minha Ligynha e minha Penny Lane em breve. E não vou me acostumar com isso. Caralho! Como dói!
CAPITU
16:18:16 — Arquivado em: 


