13.9.09

TEMPO

 


      Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado,  decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

      E, entre uma coisa e outra, leio livros.

      Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

      Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

      Primeiro: a dizer NÃO.

      Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.

      Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

      Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.

      Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

      Você não é Nossa Senhora.

      Você é, humildemente, uma mulher.

      E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

      Tempo para fazer nada.

      Tempo para fazer tudo.

      Tempo para dançar sozinha na sala.

      Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

      Tempo para sumir dois dias com seu amor.

      Três dias.

      Cinco dias!

      Tempo para uma massagem.

      Tempo para ver a novela.

      Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

      Tempo para fazer um trabalho voluntário.

      Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

      Tempo para conhecer outras pessoas.

      Voltar a estudar.

      Para engravidar.

      Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

      Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

      Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

      Existir, a que será que se destina?

      Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

      A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

      Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

      Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

      Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
      Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

      Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
      Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

      E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante’

      Martha Medeiros - Jornalista e escritora

 

       Estou em casa há uma semana e estou gostando de ter todo o tempo do mundo só para mim. De dormir sem precisar tomar remédio porque o único compromisso que tenho na manhã seguinte é levar a Bel para passear. De poder dormir de tarde. De ficar horas cuidando dos meus ratinhos. De molhar minhas plantas sem correria. De adiar por mais meia-hora seja lá o que for só porque tem um gato dormindo nas minhas pernas.

CAPITU    19:46:04 — Arquivado em: Sem categoria


3.9.09

ISSO ACONTECE POR SUA CAUSA TAMBÉM ?

 

Video-denuncia-maquina-de-moer-pintinhos.htm

CAPITU    16:22:53 — Arquivado em: Sem categoria


2.9.09

VERANEIO VASCAÍNA

 

Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
Assassinos armados, uniformizados

Veraneio vascaína vem dobrando a esquina

Porque pobre quando nasce com instinto assassino
Sabe o que vai ser quando crescer desde menino
Ladrão pra roubar, marginal pra matar
Papai eu quero ser policial quando eu crescer

Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
Assassinos armados, uniformizados

Veraneio vascaína vem dobrando a esquina

Se eles vêm com fogo em cima, é melhor sair da frente
Tanto faz, ninguém se importa se você é inocente
Com uma arma na mão eu boto fogo no país
E não vai ter problema eu sei estou do lado da lei

Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
Assassinos armados, uniformizados

Veraneio vascaína vem dobrando a esquina
Veraneio vascaína vem dobrando a esquina
Veraneio vascaína vem dobrando a esquina

                              - Renato Russo, Aborto Elétrico (escrita nos anos 70, mas sempre atual).

CAPITU    12:35:48 — Arquivado em: Sem categoria


“PAPAI, EU QUERO SER POLICIAL QUANDO EU CRESCER”

 

Adolescente morre após ser atingida por bala perdida em SP

01 de setembro de 2009 • 08h55 • atualizado em 02 de setembro de 2009 às 09h52

Morador exibe caderno de jovem manchado com sangue

Morador exibe caderno de jovem manchado com sangue
01 de setembro de 2009
Werther Santana/Agência Estado

 

 

A adolescente Ana Cristina de Macedo, 17 anos, morreu no final da noite desta segunda-feira após ser atingida por uma bala perdida em Heliópolis, na zona sul de São Paulo. O tiro foi disparado durante uma perseguição da Guarda Civil de São Caetano do Sul, no Grande ABC Paulista, a suspeitos de roubarem um carro.

A menina voltava da escola e acabou no meio da perseguição. Ela ainda tentou se esconder atrás de um carro, mas foi baleada no lado direito da cabeça. A adolescente chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital. Ela tinha um filho de 1 ano e 8 meses. Os moradores se revoltaram e entraram em confronto com a polícia.

       Sempre digo que policial bom é policial morto. Taí mais uma prova. Não é questão de a polícia ser bem ou mal preparada, é questão de caráter. Para ser policial é preciso não ter caráter. Duvido que o imbecil que atirou nesta moça tenha perdido uma noite de sono. Ele é bem capaz de achar que a culpa foi dela, ela que se meteu no meio do tiroteio. Se a perseguição estivesse sendo na Oscar Freire no lugar de ser em Heliópolis, haveria tiroteio ?

       A manifestação que ocorreu em seguida também machucou mais gente. Aí é que a polícia se sentiu! Carros e ônibus incendiados, bombas no meio da rua, moradores acuados. Que belíssima cena de destruição! E quem começou tudo isso ? Os assassinos armados, uniformizados. 

       A cena que vi na televisão que mais me entristeceu foi o namorado da menina (eles  tinham um nenê de pouco mais de um ano) dizendo: "a gente tinha planos, a gente ia sair semana que vem. Hoje vou enterrar ela".

       Quando eu tinha 17 anos, também estudava. E também levava meus cadernos na mão.

      

CAPITU    12:29:12 — Arquivado em: Sem categoria


1.9.09

TITÃS

 

       Dias 19 e 20 haverá shows dos Titãs no antigo Palace. Vou comprar o ingresso hoje. Estou ansiosa, o cd é ótimo, a banda é sensacional e minha irmã vai comigo, como antigamente: nós duas em um show de rock and roll! Do caralhoooooooooooooooo!!!

    

CAPITU    12:17:30 — Arquivado em: Sem categoria


ACE FREHLEY - O GATINHO MAIS VALENTE

 

       Ontem levei o Ace para refazer seus exames de rotina. Os resultados saíram à noite, conversei com o dr. Tarcísio e ele me disse que o Ace está estabilizado. O tratamento seguirá igual: soro subcutâneo uma vez por semana, cálcio uma vez por semana, vitaminas B e C e Lanzoprazol diários. Fiquei tranquila ao perceber que estamos fazendo tudo de forma correta.

       Na sexta, por outro lado, levei a Lygia, minha ratazana mais velha, para ver um veterinário que (parece) entende de ratos. Ela está com dois caroços do tamanho de azeitonas, um no braço e o outro, na perna. O João (que é o veterinário) disse que o do braço deve ser maligno. Conversamos e achamos melhor não mexer, pois ela já é uma senhorinha: está com dois anos e dois meses. O tempo de vida de um rattus norvegicus é de três anos, segundo ele. Ele também acredita que ela deve viver muito bem pelos próximos cinco meses. Receitou Meticorten, disse que atrasava a evolução do tumor. Cheguei em casa, liguei pro dr. Tarcísio e contei tudo. Perguntei se podia usar esse medicamento nela. Dr. Tarcísio autorizou e eu comecei o tratamento. Ela é uma anjinha tomando remédio: pingo em um pedacinho de pão e ela come tudo, não dá nenhum trabalho. Pedi para o João o mesmo que sempre peço para o dr. Tarcísio: me avise a hora de parar, não deixe eu judiar dela. Estou triste, claro, mas sei que estou fazendo o meu melhor e que ela está bem. E ela sabe que é uma ratinha muito amada.

CAPITU    12:02:30 — Arquivado em: Sem categoria


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